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CAMPANHA PRÓ-LIVRO
É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação.


Célio Nunes


Recordações (micro-conto)


O local era bucólico. Sem barulhos. Sentados nas suas cadeiras de balanço, na varanda da casa, os dois velhinhos conversavam. Um deles tomava uma xícara de chá, segurando o pires com uma das mãos, o outro fumava um cachimbo, tranqüilos. Eles tinham a simpatia e o respeito dos vizinhos. Sorrindo serenamente, o do cachimbo recordava casos do passado e dizia: “lembra-se de Ivete, aquele foi um grande amor, ardente que só ela...” O outro balbuciou, com emoção: “e muito bonita, que olhos!” Entre uma frase e outra, às vezes um vizinho passava por aquela rua quieta do subúrbio e cumprimentava com um bom dia.

Eles continuaram a conversar, quando o do chá, disse baixinho: “mas ela foi a que deu mais trabalho, lembra-se de quanto sangue sujando o chão? E para enterrar? Era muito pesada...” Os aromas do chá e da fumaça suave do cachimbo invadiam o ar da varanda.



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