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Troca de par
Para dar um tom mais leve à história neste dia em que escrevo, certamente um dia como qualquer outro, passo ao leitor um caso ou causo misturado de verdade e ficção, que as coisas da vida são assim mesmo: meio-verdade, meio-ilusão.
E aí? Não se pode afirmar que saiu tudo errado. Não, isso não. Apenas as coisas aconteceram de um modo diferente do que fora premeditado. Se bem que o resultado de tudo não fora o esperado, mas, em todo caso...
O seguinte, conto logo a história ou caso ou o que seja: Berenice, juntamente com a sua prima Dalila, moças bonitas que viviam pacífica e pacatamente na cidade de Aracaju, no ano de 1950 e pouco, um dia tramaram conquistar dois rapazes, dois irmãos, quase primos delas (de "segunda", como se dizia), de família que privava da amizade com a família das duas. Eram famílias amigas, nas constantes visitas, nos momentos de alegria e tristeza, nas festas, aniversários, doenças e morte. Pais, tias, primos, avós, crianças, compunham esse quadro pacato de duas famílias classe média, média-pobre ou média-média, como classificam técnicos da área. Sei lá, mas viviam sem privações ou sem grandes privações, dependendo da ótica de quem avalia essas coisas.
A trama: durante certo tempo, uma cochichava para um dos rapazes que a outra estava interessada nele; e vice-versa. Berenice dizia a Roque que Dalila estava doidinha por ele e Dalila dizia a Manuel que Berenice estava caidinha por ele. Mas o caso foi se prolongando, isto é, as conversas procuradas por Berenice com Roque, marcações de encontros, passeios, conversas longas, etc. O mesmo acontecia com Dalila com relação a Manuel. Tanto que, nos bailes que freqüentavam, os quatro, muitas vezes na famosa Associação Atlética ("matinées dançantes" familiares), Berenice sempre dançava com Roque, sob o pretexto da moça ficar mais íntima do rapaz e convencê-lo a namorar a outra, ocorrendo o mesmo com Dalila. Seu par constante era Manuel.
E ficaram tão íntimos, os dois pares, que pessoas da família já diziam sem cerimônia: Berenice forma um par tão bonito com Roque! E Dalila forma um par tão bonito com Manuel! Quando ouviam, elas coravam, depois se acostumaram. E se acostumaram tanto que Berenice se casou com Roque e Dalila com Manuel.
"Mas que história tão besta, meu Deus, vai terminar aí?". Perguntará o leitor abusado. Ora, se querem que o contador coloque dois triângulos que se cruzam nas relações dos dois casais ou então alguma safadeza maior, percam a esperança. Os quatro foram felizes e seus filhos brincavam juntos. Por sinal, um casal teve dois meninos e o outro duas meninas.
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