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Cyro de Mattos

As Verdades de Sherwood Anderson










Winesburg, Ohio, de Sherwood Anderson, livro de breves ficções autônomas, interligadas por núcleos dramáticos delineados no espaço de uma pequena cidade, com seus habitantes que nos conduzem ao grotesco, foi publicado pela primeira vez em 1919. Logo chamou a atenção da crítica como obra-prima da moderna literatura norte-americana, propiciando ao autor prestígio que atravessou fronteiras e repercutiu na Europa.

A crítica ainda não conseguiu identificar a cidade que serviu de modelo para que Sherwood Anderson imaginasse Winesburg, comunidade rural que se desenvolveu no Meio Oeste dos Estados Unidos, ao norte de Ohio, à beira da linha da estrada de ferro. Com 1800 habitantes, situada entre campos abertos, com plantações de trigo, frutas, cebolas, aviário, gado, mas também com trechos agradáveis de mata nos seus arredores, a cidade imaginária de Winesburg pode até ser vista como um determinado momento do desenvolvimento histórico americano, embora Sherwwod Anderson não pretendesse ficcionalizar o mundo retratando com fidelidade as formas sociais da realidade imediata como fez Sinclair Lewis em “Rua Principal” e John dos Passos em “Manhattan Transfer”.

A problemática da vida competitiva, manifesta com a mudança que os Estados Unidos empreendiam no início do século XX, de país agrário para industrial, pode ser observada nessas narrações episódicas focando a cadência amarga da vida cotidiana, através de universos microscópicos, mas o que fica como elementos definidores do livro em sua beleza criativa, relacionada com a existência, é o tratamento bem-sucedido de um discurso condigno acerca da solidão humana. Feito de cortes psicológicos esse discurso fala sobre algo deformador reinando na cidade, sob a luz do dia, vibrando no subjetivo de cada um, nas trevas que a noite traz das profundezas e das dores da existência. É assim o notar-se com freqüência da perda do amor, do sonho, da liberdade, da solidariedade, da riqueza. Da ausência de comunicação na vida diária alcançada pelos ventos do progresso, que a revolução industrial soprou para os ares provincianos de uma comunidade rural.

As narrações episódicas de Winesburg, Ohio funcionam no texto verbal como pequenos espelhos que refletem acessos e depressões de habitantes dessa cidadezinha imaginária. E a escrita, marcada com o modo singelo que Sherwood Anderson tem de plasmar as ocorrências, nasce junto com a poesia da ternura, voltada em algumas passagens como música em surdina para o drama das personagens ou mesmo diante do cenário campestre.

Parte da crítica acha que Winesburg,, Ohio é um romance com estrutura constituída de narrações episódicas autônomas, mas que se interligam através da presença centralizadora de George Willard, repórter do jornal A Águia de Winesburg, que corria a cidade em busca de novidades. Concebido pelo esquisito Elmer Cowley, da narrativa “O Gira”, como a pessoa que representava o espírito da cidade, George Willard expressa em diversas narrativas episódicas sua compreensão dos problemas da existência humana ferindo no outro, mas tem também seus dias infelizes, ardendo no cérebro, às vezes como “ânsias difusas e desejos secretos, incompreensíveis.” (pág. 159)

Livro de contos ou romance estruturado como um leque de núcleos dramáticos, Winesburg, Ohio conquista a percepção do leitor com a simplicidade da enunciação, e, ao mesmo tempo, a profundidade do enunciado. Sendo este um texto ficcional de estrutura romanesca discutível, configura-se no contexto que pertence a uma comunidade rural, onde se apresentam as personagens sem poder fugir do drama que os liga às verdades essenciais da alma.

Essas verdades assim expostas, através de pensamentos, sentimentos, atitudes e vozes amargas, tomam conta de seres humanos na vida cotidiana de Winesburg, tornando-os estranhos e extravagantes. A amostragem de cada verdade sob a superfície das personagens dá a Winesburg, Ohio o sentido de que em nossa existência todos nós somos parecidos, mas no fundo cada um possui sua própria verdade, que palpita na paisagem íntima dos nossos próprios escombros. Cada um vive de acordo com “sua” verdade o restante da vida, de tal sorte assim conduzido pelo trauma, abraçado ao rancor, à repulsa, à paixão, ao vazio, ao medo com suas sombras em tudo. Durante a luz do dia acompanhado do obscurantismo das frustrações, à noite no gesto convulso ou confuso, mas sempre vivendo com ela, que se transforma em falsidade, desde o momento que grotescamente foi tomada para si..

Em Winesburg, Ohio, alguns locais funcionam como símbolos de reclusão e solidão, prestando-se o espaço encontrado para cada personagem moer sua verdade diante da vida. O consultório vazio é o local onde o Dr. Reefy passava a vida em silêncio depois da morte da esposa. O quarto de Elizabeth Willard no prédio do New Willard House, o decadente hotel da cidade, é onde ela, recuada em suas frustrações, “passara tantos e tão longos dias contemplando os telhados de zinco da rua principal” (pág. 31). E o pequeno quarto na torre do sino da Igreja Presbiteriana é o espaço achado pelo Reverendo Curtis Hartman, um homem de quarenta anos, de limitada experiência com mulheres, para espiar a figura alva e imóvel de Kate Swift, com o colo nu, deitada na cama. Ali mesmo era travada a batalha da carne e espírito, através do seu desejo de olhar o corpo da mulher e a auscultação dos caminhos sábios de Deus. Nesses locais cobertos pelas trevas deflagra-se o drama coberto de paixão, processam-se sentimentos e pensamentos sob o peso do conflito do existir. A verdade de cada um abre impiedosamente as dores causadas pela perda de valores fundamentais. Caminha, por entre vagares e acessos, na excentricidade de cada solidão.

Outros símbolos eficientes podem ser detectados no livro com as estradas que atravessam as fazendas, ligando-as à cidade, por onde se transita com euforia, absorvido de si mesmo ou fugindo em busca do destino. O trem em seus vagões carrega a esperança sob o vaivém intervalar da existência, nele se chega querendo uma nova vida, viaja-se para terras desconhecidas. Trechos claros da mata e campos abertos despertam visões de uma coexistência perfeita com a natureza, em sua

Winesburg, Ohio pode ser lido como uma fábula da existência humana, correspondendo à idéia de que todos os homens têm o seu calvário aqui na terra. “ Haja o que houver”, como diz o Doutor Percival, do episódio “O Filósofo”, todo homem possui seu caminho espinhoso feito de dores e inocência..Nasce, vive sua paixão e morre crucificado, daí então se podendo concluir que a mais difícil prova em nossa existência é a da inocência. Cada um de nós como o Cristo será crucificado inutilmente.

A narração de cada história em Winesburg, Ohio mostra com facilidade de captação pelo leitor como a cidade imaginária de Sherwood Anderson está povoada de figuras que causam pena, riso, escárnio e medo. Pessoas retorcidas em sua postura de defesa, sempre assustadas e cercadas por um grupo de dúvidas imaginárias.

“Mãos” é a história de um homem solitário de vida misteriosa, há vinte anos vivendo numa casa junto do barranco, um pouco distante da cidade. Sua verdade estava encerrada em suas mãos. Serviram para colher morangos durante tantos anos. Tornaram-se o traço triunfante de sua fama. “A atividade inquieta de suas mãos, sempre a baterem como as asas de um pássaro preso, valera-lhe aquele apelido de wing junto ao nome.” (pág. 14). Em Pensilvânia quando era professor, tocavam com suavidade nos ombros e cabelo dos alunos. Era a maneira sua de amar a humanidade, imaginando o melhor para os discípulos. Um menino abestado se enamorou por ele, imaginou coisas indizíveis, acusando-o. Veio a tragédia: escapou de ser enforcado, mas homens colocaram-no para fora da cidade a murros e pontapés.

Elizabeth Willard vagava pelos corredores do hotel como um vulto espectral. Tinha pavor de ser vista pelos hóspedes. Morava com o marido no velho casarão como coisas vencidas pela vida. Quando moça desejou ser atriz. Conhecer outras caras, ser útil aos outros nas apresentações Havia sido bastante falada na cidade. Exibia-se pelas ruas em companhia de caixeiros-viajantes hospedados no hotel do pai. Suplicava-lhes que lhe contassem coisas da cidade de onde vinham. Certa vez escandalizou a cidade, vestiu roupa de homem e andou de bicicleta pelas ruas. Não queria que o filho George Willard tivesse o mesmo destino. Envelhecida e enferma, na cadeira passava tão longos dias contemplando, através da janela, os telhados de zinco da rua principal.

Jesse Bertley, o fazendeiro da narrativa “Piedade”, estava sempre se associando às figuras do Velho Testamento. Pensava ser um homem de Deus, podendo receber Sua mensagem. Já a personagem Alice Hindman teve de enfrentar o fato de viver e morrer sozinha. Esquecida ainda jovem pelo namorado que partiu para Cleveland, uma noite de chuva sentiu o desejo louco de correr pelas ruas. Queria encontrar e abraçar alguém tão solitário quanto ela. Ao encontrar o velho, que fogiu do seu chamado, caiu no chão e, tremendo, arrastou-se pela grama de retorno à sua casa. Ray Pearson, da história “A Secreta Mentira”, viu o mundo todo impregnado de vida com o cenário bonito que vinha do campo, e, naquele entardecer de outono, de repente se esqueceu que era um antigo e manso colono da fazenda, começou a correr pelo campo.”Corria e aos berros ia lançando seu protesto contra a sua vida, contra toda a vida, contra tudo que afeia a vida.” (página 170).

O belo artístico é de natureza distinta do belo natural. Tão certo isso que o feio natural pode ser o belo artístico quando alcança o prodígio de ser transformado esteticamente pela alquimia do espírito. A obra literária é natureza de seres e coisas tematizada por meio de elementos compositivos que desrealizam o natural e produzem uma nova realidade. O que existe é o texto rico, bem-sucedido, motivado até pelo feio natural no alcance do belo artístico.

A obra de arte literária responde a vários tipos de mimese na imitação da realidade. No realismo reflete a realidade como é; no idealismo (romantismo) melhor do que é e no grotesco pior do que é. De uns tempos para cá esse triângulo passou a coexistir na escritura da obra de ficção a um só tempo, ensejando por isso que a crítica moderna não mais aceitasse o esquema de classificação metodológica dos gêneros literários. No circuito pendular da arte literária novas técnicas apareceram para expressar o mundo de dentro e de fora., a transitar no século XX com outras vozes e anseios.

Aldo Huxley contraponteou o tempo lógico sequenciando os episódios na narrativa para dar mais vivacidade à trama. . Proust apegou-se à memória psicológica para reconstruir o tempo perdido perdurando no vir-a-ser bergsoniano. William Faulkner incorporou elementos de ordem múltipla na onisciência narrativa e conseguiu aprofundar-se no complexo universo do herói, latejando paixões e impulsos veementes. Usou para isso dois planos temporais, do passado e do presente, que se cruzam nos momentos decisivos da ação. James Joyce empregou quatrocentas mil palavras para narrar um único dia, um único cenário e uma única viagem do homem moderno, da manhã à meia-noite. E realizou a proeza com tamanha soberba, como o inventor que transgride na forma para corresponder aos novos anseios dos tempos modernos, que os monólogos interiores ininterruptos e fluxos da consciência levam para frente essa noção moderna de mitologia, cujo objetivo, segundo E. M. Forster, “é degradar todas as coisas e, mais particularmente, a civilização e a arte, virando-as de dentro para fora e de cima para baixo.” (página 96)

O grotesco como tipo de mimese que entra na obra literária consiste na captação do real pior do que é, a que os sentidos logram como antenas e depositam os dados externos no laboratório interior do artista, para que ele expresse o mundo no discurso bem-sucedido e o inaugure com outro olhar na imagem abrangente do universo. Na cópia do externo a desfiguração de seres e coisas prevalece e se converte em beleza, na obra boa ou má, bem feita ou malograda, mas nunca feia. A deformação que conduz ao grotesco pode ser apenas física ou espiritual, física e ao mesmo tempo espiritual. O grotesco apenas na aparência física é o mais elementar e primitivo. Vemos a deformação em figuras com monstros, dragões e sereias na literatura da antiga Grécia. Com Dom Quixote e Sancho Pança, Cervantes reforça o perfil psicológico associando nos gestos e impulsos o grotesco físico e o espiritual, elegendo uma medida que coexiste coerente entre o interior e exterior das personagens.

Em Winesburg, Ohio o grotesco físico aparece como elemento de caracterização do tipo de várias personagens. Ebenezer Cowley, alto e magro, dava impressão de pouco asseio. Em seu pescoço pelancudo trazia um grande quisto em parte coberto por uma barba grisalha. Elmer Cowley, o filho, tinha uma altura fora do normal e seus braços eram enormes e fortes. Seu cabelo, suas sobrancelhas e a penugem que começava a apontar-lhe no queixo eram quase brancos. Dentes salientes, olhos azuis, mas do azul desbotado das bolinhas de gude que os garotos levavam no bolso. ..

A avó de Tom Forster tinha as mãos deformadas de tanto trabalhar como lavadora de pratos. Quando pegava numa vassoura, suas mãos lembravam uma trepadeira seca agarrada ao tronco de um arbusto. Elizabeht Willard tinha uma aparência mortiça aos quarenta anos. O rosto era picado de bexigas. Wash Williams, o telegrafista, era o habitante mais feio da cidade. O tamanho de sua cintura era descomunal, o pescoço fino, as pernas fracas. De tão sujo, tudo nele denotava falta de asseio. Até o branco dos olhos parecia manchado.

Mas o grotesco físico que torna o personagem de aparência extravagante nem sempre funciona em Winesburg, Ohio como elemento isolado de sua intervenção na figura que conduz a trama. Predomina em mais de uma vintena de narrações episódicas o grotesco espiritual, que força o leitor a pensar, através do drama contado, acerca da nossa condição humana, nosso precário existir no mundo. Joe Welling, agente da Standard Oil Company, era baixinho, mas diferia dos outros pelo caráter. Ficava nervoso sem parar de falar ante o ouvinte em silêncio, vendo-o expor coisas insensatas.. Mas a verdade que o acometia era de natureza mental e não física. Tornava-se impossível quando idéias extravagantes o assaltavam.

Real ou imaginária, uma cidade nasce pelos caminhos da ânsia e do sonho. Imagina e deseja. Ao se fazer seiva, impele-se no cotidiano de seus habitantes. Acontece no sermão do ministro de Deus, na roupa do alfaiate, nas mãos do padeiro; na tenda do sapateiro, na colher do pedreiro, na valise do médico; no discurso do advogado, na decisão do juiz, na notícia do jornal; na glória do político, na comida preparada pela cozinheira, no segredo morto ou na canção do poeta que nega a morte. Com a professora que diz ser fundamental aprender a cartilha para a construção do mundo.

Na rua, loja, banco, hospital, igreja. A cidade tem o seu modo diverso de palpitar no mundo. De ver o menino que brinca com a bola ou os velhos sentados no banco da praça, mastigando a tarde no horizonte. Ela se mostra iluminada quando os namorados se beijam distantes dos olhos dos que passam. Na boca do povo ou dos que representam o seu espírito, a cidade monótona ou apressada é o mundo com seu ritmo entre o alegre e o triste, o bom e o ruim, pelos pés do cotidiano. Já se vê então que a criatura humana é o seu pedaço de chão, carregado para qualquer lado que se vai, imagens, sensações, gestos, sustos, lembranças, saudade. Nada vale mais do que o pedaço de chão que cada um leva no coração. Tolstoi disse que não existe paisagem maior, psicologia do povo mais rica do que aquela que está na intimidade de nosso chão.

Essa paisagem enraizada nas origens de cada ser humano, acesa em seu lado emotivo e da memória, o jovem George Willard levou consigo quando deixou Winesburg em busca da sorte.. Não lhe acudiram ao espírito a morte da mãe, a incerteza da vida num grande centro, os aspectos sérios e mais amplos de sua vida. Pensou em coisas sem importância.

Conforme suas visões,



Turk Smollet passando de manhã pela rua central com seu carrinho cheio de tábuas; uma mulher alta, muito bem vestida, que certa vez pernoitara no hotel de seu pai; Butch Wheeler, o acendedor de lampiões de Winesburg, andando apressadamente pelas ruas, numa noite de verão com um archote na mão; Helen White, junto à janela da agência do correio, selando uma carta. “ (página 207)



Quando desperta das lembranças em sua viagem no trem, ao olhar novamente pela janela, a cidade de Winesburg tinha desaparecido. A sua vida com a sua verdade “tornara-se ali um fundo de quadro sobre o qual ia pintar os sonhos de sua idade viril.” (página idem)

Sem assumir um enredo rigidamente desenvolvido, nem auscultar o personagem em transe, traçando a evolução de seu perfil psicológico até o declínio, Sherwood Anderson escreveu com Winesburg, Ohio uma obra de ficção constituída de narrações episódicas admiravelmente conseqüente e intensa.. Referências Bibliográficas ANDERSON, Sherwood. A verdade de cada um (Winesburg, Ohio), tradução de James Amado e Moacyr Werneck de Castro, Editora Cultrix, São Paulo, 1967. HOUSE, Seymour Kay. Panorama do romance americano, Editora Fundo de Cultura, Brasil-Portugal, sem data. BONET, M. Carmelo. Em torno a la estética literária, Editorial Novo, Buenos Aires, 1959. FORSTER, E. M. Aspectos do romance, Editora Globo, Porto Alegre, 197l. MUIR, Edwin. A estrutura do romance, Editora Globo, Porto Alegre, 197l. * Cyro de Mattos é autor de 35 livros e, entre eles, “Os Brabos”, contos, Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, “Cancioneiro do Cacau”, Prêmio Internacional de Poesia Maestrale Marengo d’Oro, em Gênova, Itália, e “O Menino Camelô”, infantil, Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes. Tem dois livros de poesia publicados em Portugal.


Referências bibliográficas

ANDERSON, Sherwood. A verdade de cada um (Winesburg, Ohio), tradução de James Amado e Moacyr Werneck de Castro, Editora Cultrix, São Paulo, 1967.
HOUSE, Seymour Kay. Panorama do romance americano, Editora Fundo de Cultura, Brasil-Portugal, sem data.
BONET, M. Carmelo. Em torno a la estética literária, Editorial Novo, Buenos Aires, 1959.
FORSTER, E. M. Aspectos do romance, Editora Globo, Porto Alegre, 197l.
MUIR, Edwin. A estrutura do romance, Editora Globo, Porto Alegre, 197l.




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