Minha oração
(trecho)
A noite está calma. A noite viúva. A noite quadriplégica.
Nada ouço, além do sussurro do silêncio. Admito o sono dormindo nos olhos das lâmpadas das ruas. O vento - um idiota, andrógino, anêmico, sopra devagar, nem frio nem quente.
O resto está parado, as coisas me esperam. Talvez eu responda, não dou a certeza.
Alguém me aponta o dedo, me acusa como se eu fosse o culpado. Mas não sou.
Um cachorro irresponsável ladra distante, debaixo da ponte. Ouço passos. A buzina de um carro maluco me assusta.
Realizo o que prometi: nunca mais falarei.
In Minha oração
Recife (PE), Edições Sarev, jun/2007, p. 45.
|