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O conto
Vou me batendo pelos corredores, aflito, à procura da claridade.
Não posso encontrá-la, a luz não está aqui. Aliás, nunca esteve, noutras ocasiões gritei por ela, aflito, e o grito se perdeu na escuridão.
Por que insisto?
Ora, era preciso que algo fosse feito, para regularizar a desordem existente na casa. A mesma casa que construí e me pertenceu, insisto em repetir.
E fiz o que devia? Fiz o quê?
Nada, claro, impossível negar, eu, que antes era um homem mentiroso e medíocre e sujo. A única solução que encontrei foi escrever este conto ridículo. Que, antes de tudo, é idiota, abjeto, cretino, ordinário, desprezível, pois não junta coisa com coisa.
In Depois eu conto
Recife (PE), Edições Sarev, jan/2007.
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