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É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação. |
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REVISITANDO GUERNICA Onde álacres campinas de recreio Abriam-se a canto e alarido escolar; Onde antes havia o tempo sem abismos, Coruscantes ruas, comércio lucrativo, Familiar convívio de pacatos rostos, Ah, tudo desapareceu na hora agra: Algo se transmudou em chão rugoso, A seara insone de insaciadas fomes. Foram um mil seiscentos e cinqüenta Mortos; oitocentos e oitenta e nove Feridos e aleijados. Em Guernica, As platibandas antes imponentes Testemunharam o furor do sangue; Enquanto avança o vento assoviando, Fendas no chão de crenças, sonhos Súbito de pedra viram coágulos. Aquartelados nos oitões da sombra, De alumínio e aço centuriões desatam Os arsenais de mortas dinastias — Metálico tropel, inferno a vômitos. Meteoro cravado a ferro e fogo Sobre chaga ainda incólume sem idade, Guernica: Tróia em terras de Numância; Canudos no caminho de My-Lai. Como que pendentes das estatísticas E dos noticiosos radiofônicos, Milhares de pássaros em pânico, Mulheres e homens por aqui passaram, Sem olhos e mãos aos céus clamando. Ao marulho de pés acorrentados, Marcham por vales e nevados montes. Marcham, e marcham para a eternidade. In A caligrafia do soluço & poesia anterior, 1996. |