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libra
Fernando Kraichete |
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um território independente dentro de litbr Música de fundo: As Quatro Estações (Inverno) - Vivaldi Fernando Roberto Kraichete é bacharel em filosofia pela UFBA, exerceu a crítica cinematográfica na juventude e é compositor bissexto. Durante vinte anos trabalhou na área de informática da Petrobras como programador de computador e analista, tendo desenvolvido e implantado o sistema online de viagem (AVP), utilizado por todos os órgãos da empresa em âmbito nacional. Foi editor da revista Música Objetiva, uma das primeiras publicações brasileiras do gênero na Internet. É autor dos romances Sete dias de março, Nyx e a noite, Mouseîn, O quarto, Xpóvoç, e de dezenas de contos. É editor desta litbr. Os trabalhos aqui publicados estão com os direitos autorais devidamente registrados. |
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(CURTOS) CONTOS (1 - 10) (11 - 20) (21 - 30) (31 - 34) |
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LUMINÁRIA O abajur aceso, o corpo na cama teso, restos de bebida na mesa, cigarros apagados. Enfim, a verdade. Fernando Kraichete |
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CONTOS DO VIGÃRIO (2) O vigário de Vilarejo sabia de tudo o que acontecia
nessa pequena vila. Esta estória me foi contada por ele.
Fernando Kraichete |
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MENOSCABO Sete horas da manhã foi quando o homem abriu a gaiola onde ele se encontrava, segurou-o pelas asas e retirou-o. Ele achou estranho pois nunca havia acontecido isso antes. Desde que nascera era ali que passava os seus dias, ao lado dos companheiros, comendo, brincando e dormindo, sem nunca haver saído. Por que o estariam separando? Talvez não fosse propriamente uma separação, talvez fosse uma outra coisa que ele, por mais que se esforçasse, não conseguia imaginar. Podia ser que o estivessem conduzindo temporariamente para um lugar melhor, que depois haveria de retornar ao convívio dos seus, mas ele não estava desejando um lugar melhor, ainda que fosse por pouco tempo. Estava feliz onde se encontrava, considerou tudo aquilo um menoscabo, o homem deveria tê-lo informado porque o estava retirando e para onde o levava antes de retirá-lo, antes mesmo de segurá-lo pelas asas. Não se pode dispor assim de um ser vivo, mas ele nada podia fazer pois a sua fragilidade era enorme. Considerou aquilo um ato de prepotência, um abominável ato de prepotência. Como nada podia fazer, decidiu aguardar. Fernando Kraichete |
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NYX E ELE Ele entrou em casa, Nyx estava à mesa. Ele chegou cedo,
ela acendeu a luz. Ele se dirigiu para o quarto, ela dançava na varanda.
Ele estava cansado, ela dormia um sono profundo. Ele estava casado, ela
não se encontrava em casa. Ele a abraçou afetuosamente, ela conversava com
o pai. Ele pensou nela, ela fora socorrer a vizinha. Ele acendeu um
cigarro, ela havia ido visitar o filho. Ele beijou seu retrato, ela sentiu
medo. Ele pensou em mudar, ela decidiu ficar. Ele precisava ver os pais,
ela chorava na varanda. Ele se dirigiu à cozinha, ela tirou a roupa do
varal. Ele sentou ao seu lado, ela nunca suspeitou. Ele a olhou com
ternura, ela escutava Górecki. Ele encheu o copo, ela abriu a gaveta. Ele
receou, ela olhou de soslaio para a irmã. Fernando Kraichete |
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POST-MORTEM
Fernando Kraichete
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CONTOS DO VIGÃRIO (3)
O vigário de Vilarejo sabia de tudo o que acontecia nessa pequena vila. Esta estória me foi contada por ele.
Fernando Kraichete
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BALA PERDIDA Conte-me o que aconteceu. Eu estava indo pra casa...
Fernando Kraichete
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ELE
Ele nem sequer leu o que estava escrito. Fechou o jornal, foi para a varanda, passou a pensar porque não agira de outro modo. Preferira proteger-se, mas não havia a necessidade de se proteger. Afinal de contas... Levantou-se, dirigiu-se ao quarto, abriu a porta. Lá estava o corpo. Inerte. Um exemplo vivo da iniquidade humana. Que logo começaria a decompor-se. Como suportar? Como suportar aquilo? Retornou à sala, o rádio, ligado, transmitia notícias aterradoras. Era noite, um casal havia sido morto a pauladas em sua própria casa. Ali perto, a poucos metros de onde morava. Sobre a mesa, o bilhete. Que ele não lera, que decidira não ler. Não importava o que dizia. O que dizia era possível adivinhar, a leitura viria apenas confirmar o que sempre suspeitara.
Fernando Kraichete
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O SEGREDO Vou confessar algo, mas você, por favor, não publique. Ok? Ok. (...)
Fernando Kraichete
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FUGACIDADE estava de casamento marcado estava sentado aa mesa de um bar com amigos uma mulher que conhecera tempos atrás e com a qual conversara em diversos momentos chegou acompanhada de uma outra sentou a uma mesa próxima não demorou muito para vêlo e cumprimentálo conversava com os amigos quando de repente percebeu que a outra o olhava e quando ela percebeu que ele a olhava sorriu retribuiu o sorriso retribuindo inúmeras vezes até quando lembrou que estava de casamento marcado pena porque era inegavelmente atraente estava de casamento marcado e não convinha pôlo em risco pensou em passar a ignorála mas receou ofendêla uma antípoda entrou e notando que ela continuava a olhálo e a sorrir desviou o olhar e fixouo demorada e intencionalmente na antípoda fingindo interesse voltou a olhar para ela notou que também tinha os olhos fixos na antípoda mas a expressão era de perplexidade em seguida olhou para ele sem sorrir e não mais olhou
Fernando Kraichete
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(CURTOS) CONTOS (1 - 10) (11 - 20) (21 - 30) (31 - 34) |
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