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Fernando Kraichete |
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um território independente dentro de litbr Música de fundo: As Quatro Estações (Inverno) - Vivaldi Fernando Roberto Kraichete é bacharel em filosofia pela UFBA, exerceu a crítica cinematográfica na juventude e é compositor bissexto. Durante vinte anos trabalhou na área de informática da Petrobras como programador de computador e analista, tendo desenvolvido e implantado o sistema online de viagem (AVP), utilizado por todos os órgãos da empresa em âmbito nacional. Foi editor da revista Música Objetiva, uma das primeiras publicações brasileiras do gênero na Internet. É autor dos romances Sete dias de março, Nyx e a noite, Mouseîn, O quarto, Xpóvoç, e de dezenas de contos. É editor desta litbr. Os trabalhos aqui publicados estão com os direitos autorais devidamente registrados. |
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(CURTOS) CONTOS (1 - 10) (11 - 20) (21 - 30) (31 - 34) |
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INTERMITÊNCIAS Tudo começou às seis da manhã. À medida que o dia avançava as dores se tornavam cada vez mais intensas e, como uma doença que com o passar do tempo só tende a evoluir, aquele era um dos momentos finais de todo um processo que iniciara quinze dias antes quando passou a experimentar uma sensação de peso no baixo-ventre. Em seguida, isso se dera apenas trinta e seis horas atrás, veio a eliminação de um muco sanguinolento, um catarrinho com sangue, conforme ela própria descrevera. Depois, a dor na parte baixa da coluna vertebral que acabou se projetando para a frente e por fim aquela sensação de rigidez no abdome, intermitente, freqüente, cada vez mais intensa.
Fernando Kraichete
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MOMENTOS Foi a Niterói. Poderia ter ido no próprio carro, mas preferiu ir de ônibus até a Praça Quinze. Desceu a Vieira Souto, entrou na Vinícius de Morais e desembocou na Visconde de Pirajá, onde tomou o coletivo. Sentou-se à janela e, mais uma vez, deslumbrou-se com a beleza de sua cidade. Observou paisagens nunca antes notadas. “O Rio é inesgotável”, pensou. Na barca, sentou-se na parte superior, à janela, e contemplou a baía de Guanabara, o céu, o mar, a montanha... Retornou feliz ao cair da tarde, mas ao chegar, encontrou-a morta.
Fernando Kraichete
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?! Encontrou um retrato que julgava ter perdido. Nele, sua mulher e a pequenina com apenas dois anos de idade. Treze anos passados desde então. A mulher, com a qual tivera apenas essa filha, falecera e nunca mais quis saber de outra. O que era aquilo?! Um pequeno envelope continha um curto bilhete: "Preciso falar com você. Encontre-me no lugar de sempre." Sem assinatura, sem identificação. Datado de dez anos atrás. Tentou imaginar quem poderia ser, mas não conseguiu atinar.
Fernando Kraichete
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O INTRUSO Flutuou como se estivesse gozando. Ao entrar, encontrou-a nua, deitada na cama, como se estivesse saindo. Contemplou-a e dirigiu-se à sala onde permaneceu à espera dela, mas quem chegou foi ele. Trazia flores em uma das mãos e um espinho na outra. Cumprimentou-o com um aceno e dirigiu-se ao quarto, enquanto ele permaneceu na sala. De repente, retornou. Com as mãos sangradas e os braços feridos.
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