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LIMA BARRETO

            Lima Barreto, de nome completo Afonso Henriques de Lima Barreto, mulato de família pobre, nasceu a 13 de maio de 1881, exatamente sete anos antes de ser sancionado o projeto de Rodrigo Silva abolindo a escravidão no Brasil, o que, no entanto, não significou uma ruptura no processo de exploração. Tinha tal idade, sete anos, quando perdeu a mãe e vinte quando o pai enlouqueceu. Em 1904, começou a escrever Clara dos Anjos, primeira versão do romance que só chegou a ser publicado em 1948, após a sua morte. Angustiado, entregou-se ao álcool e à vida boêmia, o que o levou por duas vezes, em 1914 e em 1919, a internar-se no Hospício Nacional. Em 1918, divulgou um manifesto de apoio à Revolução Russa. No ano seguinte, disputou a vaga deixada pelo poeta Emílio de Meneses na Academia Brasileira de Letras, mas só recebeu dois votos. Morreu no primeiro dia de novembro de 1922, tão pobre quanto nasceu.
            Considerado "o romancista da Primeira República", foi também jornalista. Caracteristicamente urbano, Lima Barreto fornece, com impressionante honestidade e comovente energia, um retrato da vida carioca, especialmente a dos pobres, dos boêmios, dos alcoólatras, dos pequeno-burgueses. Crítico impiedoso, denunciou a mediocridade, o farisaísmo e a arrogância da burguesia nacional. Pós-machadiano e pré-modernista (o escritor morreu no ano em que se deu a Semana de Arte Moderna), vivendo numa época em que predominava o Naturalismo, Lima Barreto foi esteticamente um solitário. Sua obra se coloca na linha de um realismo crítico, rebelde e popular.

Fernando Kraichete




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