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EDIÇÕES DIGITAIS
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Atualizar é tornar atual. Na filosofia aristotélico-tomista (escolástica), atualizar é transformar a potência (virtualidade) em ato (realidade). Atualizar o futuro é realizá-lo, é torná-lo presente. Com os meios que a tecnologia da comunicação dispõe, as edições digitais de livros deverão substituir as atuais edições impressas, o que já estamos fazendo. Graças à internet, o leitor interessado em uma determinada obra consegue de pronto localizá-la e, estando disponível digitalmente, poderá tê-la consigo quase que instantaneamente (podendo imprimí-la, caso queira), independente do local do mundo em que esteja (ela está disponível no mundo inteiro), por um custo bem menor e, às vezes, até gratuitamente.
Fernando Kraichete
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Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis (romance completo) |
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AMOR, SEXO, MISTÉRIO NA TERRA DE ARARIBÓIA
Uma ligação telefônica informando o sequestro de uma jovem naquela manhã de domingo é o primeiro de uma série de mistérios com que se defronta um novel detetive, pois a partir de então vê-se diante de questões para as quais não encontra, de início, resposta. Quem teria ligado? De onde ligou? Por que a ligação foi interrompida? O sequestro teria mesmo ocorrido? Ou tudo fora apenas uma irresponsável brincadeira? Não sendo, quem teria levado a adolescente de dezessete anos? E por que motivo? Quem era ela realmente?
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CARNAVAL SEQUESTRADO Crime, medo, mistério, intriga, investigação, espanto, curiosidade são alguns dos ingredientes indispensáveis no romance policial. No seu trabalho de estreia, Fernando Kraichete, bacharel em filosofia e programador aposentado, não só inclui esses componentes clássicos da trama, mas apresenta em Sete dias de março uma narrativa ágil, cinematográfica, com história ambientada na cidade de Niterói. Sequestro, contradições nas informações, inexperiência profissional levam o novato detetive Odnã a enfrentar, na sua primeira investigação, em pleno Carnaval, um caso difícil de elucidar. A desenvoltura do jovem detetive, em interlocução constante com sua esposa Magda, deverá conduzir esse personagem do cinéfilo Fernando Kraichete à galeria que inclui Hercule Poirot, Sam Spade, Maigret, Philip Marlowe, delegado Espinosa, Mandrake e o mais famoso de todos, Sherlock Holmes. É a construção do personagem-detetive que dá o tom do romance policial. Em seu Abecedário Gilles Deleuze diz: “Um filósofo cria conceitos e um romancista cria personagens. Mas os grandes personagens de romance são pensadores. Elementar, meu caro Watson!”. A ficção apresentada em Sete dias de março confunde-se com a concretude dos nomes de ruas, becos, logradouros de Niterói. Personagens movem-se nesse universo urbano e Odnã carrega o seu peso de agente policial, obstinado na elucidação do crime. Os diálogos nem sempre estão marcados pela atmosfera do desaparecimento da vítima, sucedem-se também no aleatório do cotidiano, o que revela refinada sensibilidade do Autor pela contextualização da trama. Leitor inveterado de Machado de Assis e dos clássicos policiais, Kraichete avança com ousadia na construção do seu romance e inclui, finda a investigação, desvendado o crime, pertinente citação de Padre Antonio Vieira, seguida de explicação de Odnã à sua esposa dos passos da elucidação do mistério. E que comenta, personagem fantástico, questões outras, pensa, como diz Deleuze. Plínio de Aguiar |
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Fernando Kraichete Nyx e a noite
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Eu não a matei. Juro que não a matei, mas todos acham que sim, a televisão diz que sim, os jornais dizem que sim, todos dizem que sim. Eles não sabem de nada, quem sabe de tudo sou eu. Eu sei o que aconteceu, eu sei a razão porque aconteceu. Eu sou o senhor da verdade. Mas eles acham que estou mentindo. Eu não estou mentindo, eu juro que não estou mentindo. Outro dia estive lá e acharam muito estranho eu ter aparecido. Não entendi, confesso que não entendi. Afinal de contas, eu sempre apareci. Eu sempre estive lá. É isso que eu digo, está todo mundo enganado a meu respeito. Preso estou eu a ela, de tal maneira que não consigo me libertar. Não pretendo viver junto. Junto vivi com meus pais, com minha mulher quando deles me libertei, com meu filho quando dela me libertei, até o dia em que ele decidiu abandonar a casa e viver com a amante. Nesse dia raiou a minha liberdade. A partir daí, vivo só, sozinho em minha casa, sem ninguém a me incomodar, sem ninguém a me cobrar, sem ninguém a me obrigar a fazer coisas que não tenho a menor disposição de fazer. Quem comigo convive é a fria geladeira, o mudo rádio, o fogão que nunca esquenta. |
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Fernando Kraichete mouseîn
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Havia mais de uma hora que estava caminhando quando divisou ao longe uma casa à beira do caminho, para onde logo se dirigiu. Teve dificuldade em chegar até lá, o chão naquele trecho estava escorregadio, parecia ter chovido ali durante a noite. Esquecera a comida em casa devido à pressa que lhe deram, a fome era intensa, o local onde se encontrava naquele momento era ermo, não havia um só lugar onde pudesse alimentar-se, o cansaço era tanto que se deixou cair no solo e rapidamente caiu no sono. |
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Fernando Kraichete O quarto litbr |
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Tire a roupa e acenda a luz. Pra que? Pra eu poder ver o seu corpo. Meu corpo é igual ao de todas as mulheres, tenho tudo que as outras têm. Deixe-me ver. Pronto, veja. Belo, igual a esse eu nunca vi em toda a minha vida. Gosta? Demais. O que você mais gosta dele? Igualmente de tudo. Não tem nada que mais lhe agrade? Não, não tem. Gostou de tocá-lo, mesmo sem vê-lo? Sim. Você está gostando mais de vê-lo ou gostou mais de tocá-lo? As duas coisas. Durante toda a noite você só fez tocá-lo. Era só o que a escuridão permitia. Foi quando decidiram retornar ao local de onde partiram, a fim de escolher outro caminho, mas o local de onde partiram não chegava nunca. Quando partiram, o tempo percorrido até a ponte não durara dez minutos, agora já dura quase uma hora. Olharam-se atônitos, sem conseguirem entender o que estava ocorrendo, mas decidiram prosseguir. De repente, depararam-se com uma enorme montanha, a qual teriam que subir se quisessem continuar. Aquela montanha mágica não houvera antes, nenhuma montanha houvera no caminho, quer de ida, quer de volta, e agora ela estava ali. Ali, diante deles. |
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Fernando Kraichete Xpóvoç litbr |
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Xpóvoç não nasceu e, portanto, não morrerá. Assim como seu irmão e sua irmã, ele não tem nenhuma idade e ao mesmo tempo tem todas. Assim como seu irmão e sua irmã, ele é filho do Eterno, de quem herdou a intemporalidade. Eu não sou filho do Eterno, eu sou filho do Efêmero. Xpóvoç é o meu nome e é sobre mim que escrevo. Zero hora, meia noite, quando passado, presente e futuro se confundem. Xpóvoç não conseguia dormir, estava sozinho na sala ouvindo música porque não conseguia dormir. Aquela situação pela qual já passara antes e que naquele instante de ontem, de hoje, acabara de voltar, lhe tirara o sono. Tinha que superá-la até o amanhecer de amanhã, até o amanhecer de hoje, ou então tudo estaria irremediavelmente perdido. |
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PAÍS - ESTADO/REGIÃO - CIDADE PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO: 14/03/2010 |
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