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CAMPANHA PRÓ-LIVRO
É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação.



Amanhecer



Maria da Conceição Paranhos



A farpa de fogo do tempo
queima o sonho de luar.

Em meus dias de Oriente,
me volto para o Norte,
o coração lateja, amargor.

Do viço do sol nos trópicos
dorme o pensamento.

A luz indica o trajeto.
Minhas pegadas provam:
o andar é para trás,
por dentro da extensão azul
entre o medo e a morte súbita.

Os ventos desabridos aplacaram-se.
Ponta de terra entra pelo mar
a ser dobrada em calmaria pura –
maior amor nem mais estranho existe,
boa esperança,
esperança purpurada.

O promontório de alcantis agudos
deitado na planície em que nasci,
anfractuoso opõe o vulto enorme.
Titã, fita o anil.
a baía dos santos
a transbordar de azul.

Sigo nessa mira.
Neste espaço que excito,
eu, peixe de Deus,
das águas doces,
em lesma abominada.

Me matei de sal-gema.
Ressurgi no índigo do sal,
de suas vísceras,
tornassol,
agonia e redenção
de um viver tardio.

Naquele tempo
em estado boreal,
eu, precoce em minha era.

No amanhecer de agora,
ventos nortes.

Um durar de ausências
invadido de faíscas.

Tomba o dossel de luz.

No ano de dois mil e seis
a aurora austral
invadiu o céu do meu País,
e eu a vi, vejo, verei sempre.
(A rocha do sossego já me tem).

Arde Cadmo, cádmio
para a nitidez da hora bruta.


De: Poemas da Luz Inesperada (inédito)






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