(Versão para Jéssica Tavares,
em seu aniversário)
Olhando pela vidraça,
seus olhos sonham distâncias –
artefatos, artifícios,
engasgos, ardis da vida?
Na solidão da moldura,
o momento aprisionado.
Nos cabelos, mãos de vento
desmancham o penteado.
Recompõe-se em segredo,
debruçada na janela.
Quem saberá do enlevo,
que, secreto, a embalava?
Flor de chumbo se estampava,
já pejada de pesares
(o sol atravessa as pedras
e se move em sua face).
Leve esboço de cansaço
abateu seu olhar lasso
(do que lembrará agora,
essa mocinha imóvel?).
Será que é amor perdido?
Uma paixão por nascer?
Haverá algum pesar
de querer por não querer?
(Morrerá qualquer espera,
finarão guerras, idéias...).
A verdade do silêncio,
de Jéssica irá contar:
sua permanência bela
velando, ao pé da janela.
20.05.2008