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CAMPANHA PRÓ-LIVRO
É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação.


Moça na janela



Maria da Conceição Paranhos



(Versão para Jéssica Tavares,
em seu aniversário)


Olhando pela vidraça,
seus olhos sonham distâncias –
artefatos, artifícios,
engasgos, ardis da vida?

Na solidão da moldura,
o momento aprisionado.
Nos cabelos, mãos de vento
desmancham o penteado.

Recompõe-se em segredo,
debruçada na janela.
Quem saberá do enlevo,
que, secreto, a embalava?

Flor de chumbo se estampava,
já pejada de pesares
(o sol atravessa as pedras
e se move em sua face).

Leve esboço de cansaço
abateu seu olhar lasso
(do que lembrará agora,
essa mocinha imóvel?).

Será que é amor perdido?
Uma paixão por nascer?
Haverá algum pesar
de querer por não querer?

(Morrerá qualquer espera,
finarão guerras, idéias...).

A verdade do silêncio,
de Jéssica irá contar:
sua permanência bela
velando, ao pé da janela.


20.05.2008






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