O poeta anda só em seu eito de pedra,
e em riste zunem lanças no peito sem veste,
e nesse batalhar sem fim e lato, medra
a púrpura da rosa, e seu espinho agreste.
As dores do poeta, reiteradamente,
esquecem a mão ferida, pois sabem da rosa.
E ao ver a flor de chama, arriscada e preciosa,
o menino que é permanece imprudente.
O sangue estua em brasa, e o olhar só quer a rosa,
envolta em natureza imprecisa e olorosa,
espinho de veludo ao tato do poeta.
Ele, ao chorar de dor, prefere sempre o pranto
à inanidade fria de vida sem encanto,
apesar do estertor e da ferida aberta.
In Poemas da rosa