Sempre toquei bandolim.
Alisei seu longo dorso,
macio, lavei o seu pêlo.
Penteei a sua crina
e lhe falava uns segredos...
As orelhas abanavam.
E havia uma música
de longe reconhecida.
Eram as patas no capim
do cavalo bandolim.
Meu cavalo bandolim
era vento nas estradas.
Meu cavalo bandolim
era um pássaro que eu montava.
Um dia, o cavalo bandolim,
brincalhão e excitado
pela prata do nascente,
não pressentiu a serpente
que se fez da cor dos matos
e picou-lhe uma das patas.
Nunca mais se levantou
(eu olhando nos seus olhos)
meu cavalo bandolim
criou asas e foi-se embora
para o céu dos cavalos.
Ainda bem que tenho tardes,
destas que não se acabam
e o vento sopra a cantiga
do meu brinquedo sem fim.
Ouço, com todas as notas
o meu bandolim galopando,
suas patas no capim,
suas patas no capim...
In Morte e Vida Bandolim
Poemas para crianças de dez a todas as idades
ARQUIMEDES EDIÇÕES -Rio de Janeiro - 2004