Joana é louca
e risonha. Em sua mente não existe
o mundo das leis (nem contudo,
porém, todavia) ou comprar-vender
da chamada realidade.
Saber não se sabe:
Joana inventa as próprias histórias
terra de fadas e figurantes.
Sua verdade tece enredos
que povoam vasto mundo.
Joana fuma
– cigarro – qu´ela fabrica, enrolando
papel vazio. Faz e pita. Acende
o primeiro, puxa, e, ao segundo
ordena: não se apague! Que agora
vou falar com ela:
– Doutora, é urgente, vou sair
deste hospital. O Príncipe, meu noivo,
me espera: ele e o meu cavalo, lá fora.
Vou casar ainda hoje. A doutora
bem sabe que um Príncipe
é o filho do Rei.
Acredite, minha
cidade inteira espera por mim.
E o meu vestido, doutora,
é azul da cor do céu, com mil
estrelas bordadas em prata.
Os meus sapatos, cinderela,
são de cetim e diamantes.
Minha tiara de ouro, bordada
com umas trezentas pedras.
Ande logo, doutora,
por favor, escreva no seu papel:
Joana tem alta hoje, porque
vai se casar com o príncipe
e ser rainha para sempre.
Já disse, o príncipe e meu cavalo,
me esperam lá fora. Se apresse,
doutora,
meu reino é looooonge...
In Morte e Vida Bandolim
Poemas para crianças de dez a todas as idades
ARQUIMEDES EDIÇÕES - Rio de Janeiro - 2004