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CAMPANHA PRÓ-LIVRO
É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação.


130 mg POEMA ANTI-ABORTIVO uso intravenoso

Ranieri Caetano






A cidade aborta tanta gente viva
e abate cada esperança que agoniza!
Num abrir e fechar de olhos a cidade aborta
enquanto a poesia aqui esmurra desse lado da porta!
Sim, a cidade aborta a palavra aberta
a cidade tem demolido a palavra concreta
e não dá ouvidos ao clamor do Poeta! Queima-se
a palavra escrita nos muros, escrita nos livros, na pele
do escriba, escrita nas mãos, peitos, coxas, pernas...
A palavra nas orelhas, nas narinas... O verbo na lábia
e lábios da vagina...
A palavra mesma, mais temida aqui do que cólica...
varrida para longe na arrogância da força eólica!
Na superfície de ferrugem, na piscina das termas!...
Na cara escrita aqui na testa a cidade aborta
e finge ou não se importa com tanta gente morta
em cada praça fria e cada travessa inócua,
em tantas ruas tristes e tantas outras tortas...
Eu, o Poeta bobo e bêbado ante tanta desgraça
trago ainda o Poema-pílula, o Poema-drágea
130 mg anti-abortivo... Porque vivo!


(02/02/2008)






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