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É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação. |
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A cidade aborta tanta gente viva e abate cada esperança que agoniza! Num abrir e fechar de olhos a cidade aborta enquanto a poesia aqui esmurra desse lado da porta! Sim, a cidade aborta a palavra aberta a cidade tem demolido a palavra concreta e não dá ouvidos ao clamor do Poeta! Queima-se a palavra escrita nos muros, escrita nos livros, na pele do escriba, escrita nas mãos, peitos, coxas, pernas... A palavra nas orelhas, nas narinas... O verbo na lábia e lábios da vagina... A palavra mesma, mais temida aqui do que cólica... varrida para longe na arrogância da força eólica! Na superfície de ferrugem, na piscina das termas!... Na cara escrita aqui na testa a cidade aborta e finge ou não se importa com tanta gente morta em cada praça fria e cada travessa inócua, em tantas ruas tristes e tantas outras tortas... Eu, o Poeta bobo e bêbado ante tanta desgraça trago ainda o Poema-pílula, o Poema-drágea 130 mg anti-abortivo... Porque vivo! (02/02/2008) |