Ricardo Cruz
1 – Roteiro para uma Tempestade (Contos) – Edições Literarte, 1985
2 – Benditos Perversos (Contos) – Editora Fator, 1990
3 – Todas as Luzes do Mar (Contos) – Selo Editorial Letras da Bahia (Fundação Cultural do Estado da Bahia/EGBA), 1998
4 – A Vingança de Xangô – Romance – Selo Editorial Letras da Bahia (Fundação Cultural do Estado da Bahia/EGBA), 2004
5 – A Vida Pregressa de W. Quintella – Romance, 2006 – sem editora
12 Contistas da Bahia, Editora Record, 1968
4 Estórias do Mercado Modelo, Editora GRD, 1971
K Iugú of Rio Grande, Molodaya Guardia, Moscou, 1973 (Tradução Helena Riánsova)
O Moderno Conto da Região do Cacau, Edições Antares, 1978
Novos Contos da Região Cacaueira, Horizonte/Editora Pacce, 1987
Contos do Brasil Contemporâneo, Vol VI, 1990, Edição Revista Brasília
O Conto Baiano Contemporâneo, EGBA, 1995
Itabuna, Chão de Minhas Raízes, Oficina do Livro, 1996
Algumas opiniões de Hélio Pólvora constam em "Intinerários do Conto" (interfaces críticas e teóricas da moderna short story), recente livro publicado pela Universidade de Santa Cruz em que, paralelamente à teoria do conto, estuda, entre outras, a obra contística de M. de Assis, L. F. Telles, E. Hemingwai, M. Campos, José J. Veiga, D. Trevisan, Júlio Cortazar, Otto L. Resende, W. Faulkner, G. Ramos, C. Lispector, J. Medauar, V. Maia, H. Borba Filho.
No capítulo dedicado a Vasconcelos Maia, estuda alguns contistas baianos, entre eles R. Cruz, sobre quem escreve: Todas as Luzes do Mar é um título sugestivo para um feliz livro de contos de RC, que já tem dois livros publicados, no gênero, e algumas histórias curtas em antologias brasileiras. Escritor quase veterano, portanto, e que escreve devagar, preocupado com a qualidade e sem querer forçar os favores da mídia, conquistou com recursos exclusivamente literários um lugar de relevo na contística baiana.
Neste seu novo livro – um dos anteriores, Roteiro para uma Tempestade, está ambientado na região cacaueira, em momento de luta ideológica – ele muda de tom. Em vez da ênfase nos temas políticos, em vez de altear a voz nas denúncias, esforça-se para delinear um ficcionismo em torno de personagens bem estudados, tanto nas ações quanto nos sentimentos. Não foge à curiosidade de vê-los por dentro, porém de maneira impessoal, deixando ao leitor um julgamento próprio. Pescadores, contrabandistas, assassinos, desfilam por estes contos, onde há espaço, igualmente, para os líricos e os cismarentos.
Quanto a Benditos Perversos, temos de convir que RC não faz ficcionismo erótico simplesmente pelo desejo de entrar na moda. Não, ele vai mais longe, ele desce fundo. Seus contos sobre desordens sexuais investigam, por trás de atos concretos ou desejos velados, os impulsos que deflagram a necessidade de desordem.
... Disso resulta uma tragicidade que, em contos exemplares, como Rita (e a Paixão), O Desejo e sua Dança e O Cúmplice, está entranhada na vida, é a própria vida. Porque o desejo erótico, ao invés de apenas exaltar e transportar, é também arma de inquirição, metafísica, instrumento de castigo e submissão pessoal, e nem sempre vence la petit mort a que se referiu George Bataille em Les Armes d´Eros. O prazer imediato reaviva velhas angústias do instinto.
Sobre Roteiro para uma Tempestade, concorda-se com Cid Seixas: “... a trama das histórias está fundamente mergulhada na própria trama cotidiana da nação grapiúna, região cacaueira do sul da Bahia, transformada pela sua gente e por seus escritores em território, ao mesmo tempo, sangrento, heróico e místico. É, por isso mesmo, um livro que se integra num dos filões mais ricos da literatura produzida na Bahia e no Brasil”.