Seu nome bem que poderia ser Sinuosa ou Ondular, mas era Janine. Ela tinha um não o sei o quê nas mãos e nos pés por onde escorria um rítmo úmido e lúbrico que combinava perfeitamente com qualquer música que tocasse. Em qualquer tempo e em qualquer lugar Janine traduzia com o corpo os sons e isso lhe bastava.
Numa noite de quinta-feira fui sozinha ao bar, onde uns amigos tocavam música instrumental. Vi Janine em sua leveza e graça pela primeira vez. Parecia um membro da banda, tamanha a sintonia com a sonoridade que explodia dos instrumentos. Nada antecipava ou postergava. Era exata. Estava dentro da música.
Robou-me o tino aquele espectro. Desvairou meu coração.
In Das coisas invisíveis
São Paulo (SP): Scortecci, 2009