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CAMPANHA PRÓ-LIVRO
É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação.


Estranha


Tatiane de Oliveira Gonçalves

Atravessando a vela a sua voz contornava notas musicais. Não era quarto escuro. Não era veneno de escorpião. A música não cessava.

Seu longo vestido vermelho caía-lhe perfeitamente e não derretia ao contato da parafina líquida.

Eram tantas as caras, cúmplices de sentimentos alheios, tomadas emprestadas para a ocasião. Cumpria seu papel.

Os cabelos não só lhe rodeavam as orelhas como caíam opacos por cima dos olhos estreitos.

Estranha era aquela mulher dentro da vela.



In Das coisas invisíveis
São Paulo (SP): Scortecci, 2009





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