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É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação. |
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Baalander
Caro leitor (falo no singular,
porque é falta de educação ler com outra pessoa): É minha função, como escritor
fracassado, alertá-lo de que não vale a pena desperdiçar seu precioso tempo
lendo esta história, composta por mim, num momento de completa insanidade. Pra começar, basta saber que o
enredo é nulo e os personagens são mal formulados. Dá-se para julgar a péssima
qualidade da história, logo pelo título: “Baalander”... Parece nome de marca de
maionese falida! Sem sombra de dúvidas este é o pior título, que só o pior dos
escritores poderia criar, para a pior das histórias. Um personagem central deste conto
sem nexo vem a ser o vilão; que por sinal se chama Vilão – muito original, não
é? Ele é um cabeçudinho rei multimilionário da era medieval!... Isso lá é coisa
pra se escrever? A única coisa que salva a
história é – por incrível que pareça – o herói: Baalander; um príncipe que
durante a noite vira bode! Esse fato prova mais uma vez a péssima qualidade
deste texto! O herói não pode ser o personagem mais envolvente da trama, ele
tem que ser aquele que possui um propósito a seguir, mas ao mesmo tempo, não
atraia muito a atenção; e o mais importante: ELE NÃO PODE VIRAR BODE DURANTE A
NOITE! Pois imagine só se a própria mocinha que ele está a salvar acordar no
meio da noite com fome... Pode devorá-lo! Já comeu carne de bode? Todavia, vamos ignorar esses dois
personagens e falar sobre a bela donzela, que está presa para sempre na torre
do Vilão. Seus cabelos loiros e pele lisa como o papel são encantadores;
realmente ninguém poderia dizer que aquela bela mulher de olhos verdes
tornava-se uma lobisomem fêmea durante a noite. Essa era Madaren – a princesa
difícil! Devo alertá-lo que esta
personagem não pode se transformar no que se transforma. Alguém já ouviu falar
em lobisomem fêmea? Até onde eu sei, lobisomens se originam quando uma mulher
dá a luz a seis meninas e o sétimo filho é um menino... Ou quando alguém é
arranhado por outro lobisomem será um lobisomem; logo, jamais poderia haver uma
lobisomem fêmea, teria que ser, no mínimo, lobilher... Ou Lobwoman... Mas vamos
ignorar isso também e falar do outro personagem. Há um personagem neutro nessa
história. Na verdade ele é tão neutro que nem tem motivo existencial! Chama-se
Mitt; uma criatura obesa e esférica responsável pela inútil tarefa de soar o
gongo quando algum idiota cansado de tanta monotonia vai ao reino do Vilão
jogar uma longa partida de xadrez. Pois bem, quer apostar que com
somente esses quatro personagens eu consigo fazer uma incrível história?... Caso apostaram, venceram!... Porém, eu posso jogar mais dois
ou três personagens nesse conto... Ou talvez vinte e três. Há um dragão, que guarda o
castelo do mal, localizado dentro de uma vela negra, no subsolo medieval – se
você entendeu essa frase, me explique, pois eu não entendi. O dragão se chama:
Dragão – outro exemplo da originalidade dessa aventura! Baalander – o Homem-Bode noturno;
vagava juntamente com seu fiel e inseparável escudeiro: Slin – o mosquito
vespertino! Que gozado, esse Slin transforma-se num mosquito quando o Sol se
encontrava no meio do céu. Os dois contavam também com a
presença mais que bem vinda de um camelo; que se chamava: Camelo – já sabem o
que vou dizer, não preciso repetir. Você teria que ver o quão era engraçado
quando a noite chegava e havia um bode montado num camelo, seguido por um
mosquito. Resumindo: Os três aventureiros
encontraram a vela; destruíram o Dragão, salvaram a princesa e viram o Vilão se
matar após comer mil e um biscoitinhos de leite. Contudo, durante a fuga bem
fugitiva, a tarde chegou, transformando Slin em mosquito. A noite veio
transformando Baalander em bode e Madaren em lobisomem. Madaren então comeu a
todos, incluindo o Camelo e depois morreu devido a uma morte morrida e misteriosa:
Ou foi por causa de uma bicheira na barriga; ou câncer de esôfago. Fato tal,
que não tem nada a ver com a história. Como você pôde constatar, este
conto nada mais foi do que um amontoado de palavras sem nexo nem argumento que
compuseram uma história que simplesmente acontece. Eu confesso não saber nem se
acabou, mas mesmo assim... |