Aurora
Na fina renda das nuvens
vi os teus cabelos.
As nuvens se foram,
mas você não...
Na maré alta
vi o teu rosto.
A maré se foi,
mas você não...
No canto do bem-te-vi
ouvi a tua voz.
O bem-te-vi se foi,
mas você não...
No prateado da lua
vi o teu sorriso.
A lua se foi,
mas você não...
O sol renasceu
o mundo iluminou.
As cores voltaram,
mas você não...
Se num imaginário dia
te encontrar no espaço,
com o dedo furarei a lua
e no arco-íris darei um laço!
Para uma estrela nascente
que muito, muito cedo,
a política levou embora.
E, por paradoxal que pareça,
se chamava Aurora...
Assim sobrevivi, sendo em ti!
Projeto gráfico: Fernando Kraichete