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CAMPANHA PRÓ-LIVRO
É mister comprar e ler livros, ou as livrarias fecham, as editoras param, esvaece a cultura, fenece a nação.


Whisner Fraga


De como dois profissionais não podem se amar


Quero dizer: lhe. Que partindo: estou. De brincadeiras: chega. De joguinhos: basta. Que somos: fomos: nada. A isso ser. Acostumamo-nos. Rapidinha: nenhuma. Mais nunca. Quarto seu inteira noite? Não. Fora lá: nada: somos. Na jaula macacos. Respeito: desejo. Você: oposto. Carinho: basta: lhe. Do picadeiro longe: ficaremos. Das arremessadas gorjetas. Dos prostitutos gorjeios. Macerados sexos. Puto, puta. Mais não posso. Caminho adiante: não há. Saída, encruzilhada, nada. Assim ser: deve. Meu vagabundo sêmen: da ruína do seu gozo privado. Da solidão. Do interdito: encaixe. Holofote-lua trevas rasgando. Outro: procure. O show prosseguir deve. A masturbação, a felação, a incompreensão. Viagra nem. Mastro recolhido: ausência de bandeira. Problema resolver como? Impotente estou.

O grito extravasa-se da boca escorrendo pelo coito teatral, pela sensação de última vez diante dos olhares espectáveis, bocas borradas, enquanto o jato de luz engole o palco lambendo as carnes erigidas pelo minuto de glória (o sexo é apenas isso) e dinheiro e o que ninguém percebe é que eles se abraçam e há tanto desespero nesse aconchego e sussurram sonhos cor-de-rosa e carmim e ouvem as mãos eriçadas e a juntura amena que nunca os redimirá de si mesmos.

Assim são as coisas para sempre.


Fonte: iararana 6 - revista de arte, crítica e literatura
Salvador - Bahia - Brasil (julho a outubro de 2001)



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