|
|
Yêda Schmaltz
|
ESPINHEIRO Escrevo com o gosto de sua boca nos lábios. Persiste o cheiro dos seus cabelos, um cheiro de maresia. O meu pijama de inverno, agora é branco, é pérola. Apenas três botões me guardam. E me guarda a sua poesia. Reivindico para mim essa boca que escrevo com seu gosto! Que colha esses botões de renda e a pele me atravesse. Reivindico esses blues pinçando agulhas, esse esse - esse vudu. Mas minhas palavras de espinhos, todas desgastadas, se quebram. Só a poesia fala comigo. Mas diz: tirei tudo de você.
|